Salinas Grande e a luta comunitária de Rosilene (2011)

SALINAS GRANDE, UM EXEMPLO DE LUTA E ORGANIZAÇÃO

Rosilene dos Santos Silva é nascida e criada na comunidade Salinas Grande, localizada a 36 quilômetros da sede do município de Remanso, Bahia. Rosa, como é conhecida, participa da luta comunitária há cerca de 20 anos, quando começou como animadora da Paróquia. É sócia do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, diretora da Associação Comunitária, é membro e animadora da Rede de Mulheres e, atualmente, coordena a Mini-fábrica de Beneficiamento que está sendo construída na comunidade. É casada com Antônio Carlos Dias da Silva, que tem muito conhecimento sobre plantas medicinais e remédios caseiros. O casal não possui filhos.

Logo no início dos encontros dominicais, na década de 90, as mulheres eram maioria. Rezavam e conversavam com Rosilene e seus familiares, à sombra do juazeiro, sobre problemas ligados a comunidade. A primeira luta foi para a criação da Associação Comunitária Agropastoril dos Pequenos Produtores de Salinas Grande e Arredores, que teve o objetivo inicial de conseguir melhorias e ampliação da escola. A partir daí, a luta comunitária não parou e os homens começaram a participar mais, principalmente depois que se instalou um conflito de terra com um grileiro e as famílias. Esse processo está na justiça desde 2008.

Rosilene já participou de diversos intercâmbios. Em Uauá, Bahia, ela visitou a experiência de uma cooperativa de beneficiamento de frutas. Em Campo Alegre de Lourdes, conheceu uma Casa de Mel e quintais produtivos. Em São Raimundo Nonato, no Piauí, visitou o trabalho de mulheres com produção de sabonete, o local da fábrica de beneficiamento de frutas e a experiência com pintura em tecido. Para ela, participar dessas atividades é muito importante porque é uma forma de trocar experiências e aprender a superar obstáculos. Um dos desafios que Rosilene ainda continua enfrentando é a falta da compreensão de alguns homens que não permite que suas esposas participem de atividades fora da comunidade. No início se sentia muita sozinha porque as mulheres queriam participar, mas eram impedidas por seus companheiros. Hoje, a maioria das mulheres participa das atividades e conta com o apoio dos esposos. Isso faz com que Rosilene se sinta menos sobrecarregada. Ela acrescenta que seu esposo, no início, não compreendia, mas hoje ele incentiva a organização das mulheres, apóia o trabalho e participa da luta comunitária.

Em 2004, 18 mulheres iniciaram um grupo para beneficiar frutas nativas, como maracujá do mato e umbu, fazendo doces, geléias e compotas. Da tapioca, produzem cambraias e ginetes, também conhecido por sequilhos. O trabalho é realizado na Associação de Moradores do Marcos (AMOMA), após convite da professora Zidália, através do Sindicato dos Trabalhadores (as) Rurais. Rosilene se emociona ao falar da importância do incentivo e do apoio de Zidália para darem esse passo. O grupo vai umas vez por semana trabalhar na Unidade de Beneficiamento, que fica a 31 Km de Salinas. Essa é uma maneira das mulheres se capacitarem, gerar renda, elevar a autoestima e conquistar autonomia financeira com a entrada de recursos do projeto Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O grupo também faz vendas individuais e nas feiras municipais com outros produtos, como o doce de leite da cabra, verduras e artesanato.

Com a inauguração da mini-fábrica de beneficiamento em Salinas Grande, construída em parceira com o SASOP, a expectativa das mulheres é aumentar a produção e  participar da Chamada Pública Municipal do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Espera que o grupo se fortaleça, principalmente, junto àquelas mulheres que desistiram. É importante a mulherada não se esmorecer e aprender a superar os obstáculos, pois isso faz parte da caminhada”, declara Rosilene.

Outra conquista importante para a comunidade foi a construção das cisternas de bica que a maioria das casas já possui. As cisternas de produção começaram a chegar em 2009, beneficiando em torno de 20 famílias, assim como as Bombas D’Água Popular (BAPs), que atendem muitas famílias com seus animais e afazeres domésticos. Segundo Rosilene, a ampliação das fontes de água melhorou a qualidade de vida das famílias. Rosália Dias da Silva diz que seus filhos hoje comem bem e ainda tem economizado e garantido verduras o ano todo. Antes as mulheres só plantavam coentro e cebolinha em canteiros de forquilhas, tipo suspenso. Hoje cultivam alface, cenoura, pimentão, couve, tomate e pimenta. No início desse ano, cada família beneficiada recebeu 50 mudas de frutas e não vêem a hora de colher do quintal laranja, goiaba, limão, acerola, manga e caju. Rosilene acrescenta que o sonho da comunidade é a construção de uma casa de farinha equipada para garantir melhor preço e um produto de qualidade.

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