Sistema Agroflorestal garante Segurança Alimentar e Nutricional da família

 

 

 

Na cidade de Ituberá, Território do Baixo Sul da Bahia, mora a família Conceição. A experiência com o manejo agroflorestal na propriedade, localizada na comunidade Capoeira, começou quando o SASOP, através do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do município. “O SASOP veio trazendo a troca de experiências e aí vi que tudo o que eu estava fazendo de errado e voltei a fazer o certo com a Agroecologia.”, conta o agricultor Antônio Ribeiro, conhecido como Seu Ribeiro na região.

Hoje, a família combina o cultivo de plantas alimentícias com as plantas nativas da Mata Atlântica, para contribuir com a recuperação da área desmatada. A família também começou a investir na criação de animais. Criam galinhas, porcos, peixes e, pretendem começar a criação de cabras. “Tem quatro anos que não compro verdura, não compro ovos, não compro frango, muitas coisas que não compro, tudo já daqui. Tudo sem negócio de veneno, sem agrotóxico. E sempre eu vou orientando os outros”, comemora Seu Ribeiro.

Na propriedade, o agricultor tem plantado seringueira, rambutã, abacate, cacau, banana da terra, feijão, milho, couve, cupuaçu, laranja e outras fruteiras. As hortaliças que cultiva, faz também ração para as galinhas. Com o esterco, Seu Ribeiro já faz o adubo das plantas. Nos intercâmbios, a família tem conhecido e adquirido sementes crioulas.

Para eles, as melhores mudanças aconteceram no bolso e na saúde porque deixaram de comprar para produzir o próprio alimento de forma saudável. “Ao invés de ir comprar, eu tenho para vender”, afirma Ribeiro.

 

Jovens Multiplicadores

Os filhos Marcos e Mesaque também estão seguindo o mesmo caminho. Os jovens já participaram de diversas atividades de formação e hoje são multiplicadores da agroecologia e do meio ambiente em sua comunidade. Para Mesaque, a troca de experiências e as formações fizeram observar a relação entre o homem e a natureza. “A gente agora está trabalhando mais com o reflorestamento porque o homem hoje pensa mais em si, em destruir e degradar. Agora eu penso no hoje, mas também no amanhã”, afirma.

Mesaque explica o que aprendeu sobre o sistema agroflorestal. “É o que a gente mais trabalha aqui: reflorestamento e preservação das nascentes. O SAF é algo que a gente vai introduzir nosso alimento e também árvores nativas da região, com hortaliças, árvores frutíferas, que vai servir para gente e para os animais”.

Para ele, poder multiplicar o que aprendeu é importante porque há muitos jovens na comunidade que não tem a preocupação em cuidar do meio ambiente. Diz que os hábitos da família mudaram para melhor. Até o feijão e a carne que compravam fora, estão começando a introduzir na propriedade e, em breve, terão sua própria produção. “A gente não vai ao mercado comprar aqueles pimentões, tomates que estão lá bonitos. Como diz o ditado, quem vê cara, não vê coração. A gente está vendo a boniteza, mas por dentro é puro veneno”, alerta.

Marcos, também filho de Seu Ribeiro, afirma que o grande diferencial é saber conviver com a natureza. Para Marcos, o jovem gosta muito de cidade, sai de sua terra para trabalhar fora, mas hoje ele descobriu que, com conhecimento, consegue trabalhar na terra junto com sua família, tirar o sustento da propriedade e não precisar comprar nada na cidade. “Trabalhar com agroecologia dá sustentabilidade a qualquer família. O trabalho de agroecologia é a gente não trabalhar com química, é preservar a natureza, as nascentes, plantar na nossa propriedade árvores nativas, plantando e cultivando no sistema agroflorestal”, explica.

Marcos conta ainda que quando tem reunião da associação, convoca os jovens da comunidade para trocarem os conhecimentos que aprenderam nas formações realizadas pelo SASOP. Para o jovem agricultor, sair da comunidade é bom para conhecer outras experiências, mas sempre com a ideia de voltar e aplicar o que aprendeu para melhor cada vez mais o lugar onde vive e a qualidade de vida da sua família.

Dona Marilene Pereira da Conceição, esposa de Seu Ribeiro e mãe de Marcos e Mesaque, conta que sua rotina começa as seis horas da manhã, quando acorda para dar ração aos animais. Só depois que termina de alimentar os porcos e as galinhas, a agricultora vai fazer o café da manhã e, depois, ir ao campo com o esposo para cuidar da horta e colher os alimentos plantados dentro do sítio. Marilene diz que aprendeu com os filhos o que não pode aprender com seus pais. Lembra que, no passado, seus pais cortavam as plantas, faziam roçado, queimavam. Com os filhos, aprendeu que pode trabalhar na terra, preservando a natureza.

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