Criação de Galinhas garante qualidade da alimentação (2011)

CRIAÇÃO DE GALINHAS GARANTE QUALIDADE DA ALIMENTAÇÃO DE FAMÍLIAS AGRICULTORAS

Família de Dona Delza e Seu André criam galinhas para consumo da família e para vender

 A comunidade do Barroso, localizada na zona rural de Camamu ,no  Território do Baixo Sul da Bahia, surgiu após assentamento de 35 famílias numa antiga fazenda de cacau abandonada. Hoje, a comunidade está organizada em torno da produção de alimentos e da criação de galinhas nos sistemas produtivos das famílias agricultoras. Há dois anos a comunidade conta com apoio de um grupo de mutirão, formado por sete homens, e, há cerca de um ano, do grupo das mulheres, que cuidam das criações e da produção de alimentos nos quintais.

Com apoio do Fundo Rotativo gerenciado pelo SASOP, o grupo começou investir na criação de galinhas. Compraram telhas de eternit, telas, fios, lonas, arame e outros materiais para construção dos galinheiros, além da máquina forrageira para produzir a própria ração, economizando com a compra e garantindo a qualidade na alimentação das aves. A ideia deu tão certo que hoje mais pessoas da comunidade começaram a se envolver.

Joanildes, conhecida como Nil, conta que as oficinas de formação e a assessoria do SASOP fizeram com que conseguissem o resultado que queriam na criação de galinhas e agora pensam em vender o excedente da produção. Nil conta que fizeram um curso e aprenderam como cuidar das galinhas, higienizar, vacinar, usar os medicamentos e alimentar os animais. “Aprendemos a desidratar as folhas para fazer ração, lavar os vasos de água, colocar água filtrada para beberem, estas coisas, que melhoram a criação e evita doenças”, completa Nil.

O professor e morador da comunidade e criador de galinhas, Ivanildo dos Santos Pereira, conhecido como Tita, lembra que muitas pessoas não acreditavam que a criação de galinhas podia dar certo porque só considerava renda o que fosse para vender. Hoje, Tita diz que quem cria não se arrepende. Alguns começaram também a produzir codornas. “Deixamos de comprar fora galinha e ovos. A ração fazemos aqui mesmo com mandioca e outras plantas. O incentivo do SASOP mudou nossa alimentação. Até horta nos quintais começamos a cultivar e o adubo é feito do próprio esterco da galinha”, declara Tita.

Seu José, um dos companheiros que trabalha com o grupo, afirma que o mutirão da criação tem se fortalecido com apoio do SASOP. “O SASOP é um grande parceiro e, com esse apoio, ganhamos mais experiência para desenvolver a criação. Vimos que precisamos cuidar dos animais e ampliar os galinheiros”, explica o agricultor. As mulheres do Barroso contam que o trabalho em grupo possibilita a troca de experiências. Cada um cria no seu quintal, mas conta com a ajuda de todos. Com o incentivo do SASOP e do Grupo de Mulheres do Assentamento Dandara dos Palmares, o grupo do Barroso planeja vender seus produtos na Feira Agroecológica de Camamu. A maior dificuldade, no entanto, é a situação da estrada, que piora ainda mais quando chove e dificulta o acesso aos mercados.

No Assentamento Dandara dos Palmares, a experiência de Seu Rosalvo de Jesus mostra que criar galinhas vale à pena. Para ele, criação de galinhas é o que mais dá lucro. “É preciso ter muita dedicação, mas não há nada que em 90 dias a gente consiga tirar o dinheiro aplicado. Com criação de galinhas é assim. Podemos abater com 3 meses.”, explica Seu Rosalvo. O agricultor diz que começou a investir na criação de galinhas há mais ou menos dois anos, quando comprou 50 pintinhos e começou a ver vantagem no terreiro. Seu Rosalvo revela que quando compra os pintinhos, deixa 40 dias sob cuidados no seu quintal, onde tem um galpão, se alimentando apenas com ração balanceada. Depois de 1 mês e meio ou dois, ele leva as aves para a roça. Lá, aprendem com os patos que Seu Rosalvo também cria a comer folhas e outros alimentos da roça.

Criação de galinhas de Seu Rosalvo

Todos os dias, pela manhã, Seu Rosalvo distribui 10 Kg de milho e complementa a alimentação dos animais com ração que compra fora e outros produtos que planta na própria roça, como folha de bananeira, raspa de mandioca, repolho e couve. O galinheiro foi construído com apoio do Fundo Rotativo, em parceria com o SASOP, que possibilitou a compra do bebedouro para os animais, de tela, telhas, cimento, madeira, entre outros materiais. Da galinha terra, Seu Rosalvo tem cerca de 60. Da galinha comum, que chama de galinha de granja, ele nem tem como contar. Diz que é muito mais de 60. O esterco é aproveitado como adubo orgânico na roça e ainda sobra para comercializar. “Criar galinhas dá trabalho, mas vale à pena. Vemos resultado imediato.”, completa.

Atualmente, Seu Rosalvo consome e vende galinhas e ovos na comunidade e fornece também para Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), através da chamada pública da Prefeitura. Uma galinha custa R$ 25 e uma dúzia de ovos R$ 4. O desejo de Seu Rosalvo é participar de uma capacitação para aprender a fazer a ração para as galinhas e, assim, economizar o dinheiro que gasta fora e melhorar ainda mais a qualidade dos alimentos das aves.

Textos e fotos: Luciana Rios

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3 responses to this post.

  1. Posted by Fernando Augusto do nascimento on 01/04/2015 at 22:05

    muito bom a esplic. gostaria de ver outros

    Responder

  2. Posted by Antonio Mariano on 28/07/2015 at 17:47

    Muito bom, é realmente algo interessante, pois quando as pessoas se juntam para fazer algo, fica mais leve e, barato. Parabéns!!!!!

    Responder

  3. Posted by Antonio Mariano on 02/03/2016 at 11:13

    Acredito que a criação de galinha, assim como a horta familiar,
    pode tirar muitas pessoas de suas necessidades alimentar e também ajuda no combate a crise que o país está passando. Um forte abraço a todos!

    Responder

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