Agricultor conta sua historia de luta pela terra e acesso à agua para convivência com o semiárido (2014)

Manoel Joaquim  e esposa Neide - mostram o canteiro cultivam à somba do mosqueteiro

Na comunidade Lagoa do Anselmo, município de Pilão Arcado, Seu Manoel Joaquim de Carvalho mora com a esposa Dona Terezinha Borges de Carvalho e juntos tocam uma série de iniciativas de convivência com o semiárido.

Seu Manoel é uma de liderança na região. Nascido e criado em Pilão Arcado, o agricultor começou cedo a se envolver com comunidades eclesiais de base, movimento social ligado à igreja, logo depois partiu para o movimento sindical, com foco na luta pela terra e pelo acesso à agua. No sindicato dos trabalhadores rurais, já foi presidente, tesoureiro e secretário. Pela pastoral foi agente de saúde e também parteiro. Ajudou a trazer ao mundo mais de 10 crianças.

Entre os anos de 1986 e 1987 começaram a ouvir falar nas áreas de fundo pasto e, como os produtores familiares trabalham em pequenos pedaços de terra, começaram a se interessar nas áreas de fundo de pasto para as criações. A partir daí, conseguiram fundar a Associação de Fundo de Pasto na região. Seu Manoel afirma que ajudou a fundar mais de 20 associações de fundo de pasto no município em 30 anos de trabalho no movimento sindical.

Outra dificuldade na época era o acesso à água. Tinham de buscar em até 15 quilômetros de distância. Não havia poço, nem barreiro. A água era armazenada na lagoa e no riacho porque não havia cisternas. Seu Manoel conta que os mais velhos não moravam em Lagoa do Anselmo. Iam apenas para plantar e voltavam para suas casas na beira do riacho. Com apoio de organizações parceiras começaram a ter mais informações e a cavar barreiros para armazenar água. As primeiras cisternas de placa foram construídas na comunidade em 1996. Hoje, todas as famílias de Lagoa do Anselmo possuem cisternas.

Seu Juvêncio de Souza, pai de Dona Terezinha, conta que a mudança principal com o acesso à agua foi a diminuição da mortalidade infantil. Ele lembra que o cemitério era cheio de crianças por causa das doenças contraídas pela ingestão de água contaminada. Hoje, com água de qualidade para beber, tudo mudou.

Em 2012, Seu Manoel e Dona Terezinha foram contemplados com um barreiro de trincheira, que, com a última chuva que deu em janeiro de 2013, encheu totalmente garantindo água por quase todo o ano. Aproveitando a chegada da energia elétrica, Seu Manoel colocou uma bomba para levar a água do barreiro para a cisterna que fica mais próxima da casa.

O SASOP, segundo Seu Manoel, tem muita credibilidade em Pilão Arcado por ter proporcionado muitas experiências na área de produção e geração de renda, como criação de abelhas, intercâmbios, construção de barreiros, tanques de pedra e cisternas. O agricultor lembra que antes o povo tirava abelha da caatinga e hoje criam. A apicultura na região começou no final dos anos 90, com a compra de equipamentos com apoio de recursos do fundo rotativo. O projeto começou com a compra de 30 caixas para 10 pessoas e, hoje, cada um tem mais de 30 caixas. Hoje, Seu Manoel afirma que Pilão Arcado é um dos grandes produtores de mel na região.

Com a assessoria do SASOP, Seu Manoel revela que aprenderam também a criar animais caprinos, ovinos e galinhas. Ele conta que antes saíam para caçar porque não produziam nada na roça. Não sabiam armazenar alimentos e por isso passavam por dificuldades em época de estiagem. Segundo o agricultor, as mulheres iam buscar água nas poças de água que ficavam acumuladas depois da chovia, lavar roupa no meio das estradas e essa água que provocava doenças, principalmente nas crianças.

Dona Terezinha diz que a qualidade da alimentação também melhorou com a implantação dos canteiros próximos à cisterna de produção. A agricultora conta que depois que começou a produzir alimentos na horta e no quintal não compra no mercado tempero, hortaliças e verduras. Hoje, a agricultora comemora em ter água e alimentação de qualidade. No quintal já tem plantado fruteiras como caju, siriguela e manga.

Segundo Dona Terezinha, o impacto do barreiro de trincheira foi muito positivo porque eles não secaram na última estiagem. Os animais continuam bebendo água nesses barreiros. Ela diz que é uma tecnologia apropriada à região, que resolve o problema. A agricultora pontua que participou de cursos de beneficiamento de frutas e criação de galinhas. Faz vinho, compota, geleia, polpa do umbu. Para o vinho, cozinha o umbu, coloca na suqueira, retira os caroços. A massa que fica, faz a polpa e o caldo já o vinho pronto.

O casal planeja agora produzir mais frutas, aumentar o canteiro e a criação de caprinos e ovinhos. Seu Manoel diz que na época de estiagem não conseguem plantar feijão e milho, mas as ovelhas não param de produzir mesmo com pouca chuva. Basta ter água e ração armazenada.

 

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