Mutirões fortalecem sistemas produtivos (2011)

MUTIRÕES FORTALECEM SISTEMAS PRODUTIVOS DAS FAMÍLIAS AGRICULTORAS

Prática antiga entre agricultores, o trabalho de mutirões tem sido uma estratégia de fortalecimento e organização dos sistemas produtivos das famílias agricultoras no Baixo Sul da Bahia. Na comunidade do Barroso, localizada na zona rural de Camamu-BA, há dois anos existe o mutirão dos homens e, há um ano, o grupo das mulheres, que se reúnem semanalmente para trabalhar nas propriedades uns dos outros.

O grupo dos homens conta hoje com sete integrantes, que trabalham nas roças uns dos outros, dois dias por semana, fazendo todo tipo de trabalho, como roçagem, colheita e plantio. A iniciativa de formar o grupo veio da ideia do professor Ivanildo dos Santos Pereira, conhecido como Tito, para ajudar e facilitar o trabalho na roça. “Eu não trabalho na roça, mas via as pessoas sozinhas cuidando de suas propriedades. Dá muito trabalho, principalmente, a parte da limpeza. A mão de obra é muita cara para contratar. Daí sugeri o trabalho de mutirão numa reunião da Associação e o pessoal acatou”, conta o professor.

Cada dia o trabalho é feito na roça de um dos agricultores, fazendo todo tipo de trabalho, como roçagem, colheita e plantio. O que o dono da roça estiver precisando, o mutirão faz. A diversidade de culturas é bastante intensa, como a do cacau, guaraná, cravo, banana, mandioca, fruteiras, entre outras. O dono da roça fica responsável pela alimentação dos trabalhadores. Mas o grupo também tem regras, entre elas, a de se alguém faltar no dia do mutirão, tem que mandar outra pessoa no lugar ou pagar o dia.

As mulheres aderiram e, um ano depois, também formaram um grupo de mutirão com o objetivo de incentivar a produção de alimentos nos quintais, a criação de galinhas, ajudar na roça e também dar um apoio solidário umas às outras no âmbito pessoal. Ana Célia, presidente da Associação Comunitária do Barroso, agricultora e integrante do mutirão, diz que quando viram os homens trabalhando aproveitaram para mudar o discurso de que as mulheres não fazem nada. Resolveram então formar o grupo para cuidar dos quintais e ajudar o marido na roça. Hoje são 12 famílias trabalhando cada dia num roçado diferente. “Depois que o grupo das mulheres se constituiu, as famílias passaram a plantar mais e a trocar alimentos. No início, a ideia do grupo era produzir alimentação para a nossa família. Agora, queremos também acessar o mercado”, completa Ana Célia.

As mulheres se encontram toda quarta-feira. Comem juntas na casa de quem estão trabalhando. Segundo Ana Célia, o grupo busca dar apoio às mulheres. “Percebemos que muitas estavam desanimadas para cuidar dos quintais, não plantavam mais. O mutirão das mulheres é muito mais de apoio, de terapia, não é um trabalho apenas. Para o grupo é um dia de festa, de encontro, onde conversamos nossos problemas e nos divertimos. O grupo veio cumprir esse papel, além de ser um momento de união, de forças”, explica Ana Célia.  Joanildes, uma das integrantes do grupo de mulheres do Barroso, afirma que não tinham nem tempero verde para plantar porque não havia troca de produtos entre as famílias. Depois do grupo, as mulheres começaram a se ajudam. “Conseguimos muitas coisas depois que formamos o grupo de mulheres. Conhecemos pessoas nos intercâmbios. Aumentamos nossa produção. Hoje já crio galinhas”, conta.

Para o Barroso, os mutirões têm sido um espaço de fortalecimento do sistema produtivo das famílias, organização comunitária, união e solidariedade entre os agricultores. Na comunidade da Boa Esperança, município de Igrapiúna, os agricultores também se organizaram num mutirão. Antonio Leite, agricultor conhecido como Madruga, conta que o grupo da Boa Esperança teve início em 1995. No início eram 11 homens. Atualmente são apenas seis, mas que resistem e se ajudam com muito respeito ao outro. O grupo, mais experiente, utiliza procedimentos para organizar o trabalho e a rotina, como livro de pontos, ata de reuniões, possuem uniformes e regras de convivência e trabalho bem estabelecidas.

No Assentamento Dandara dos Palmares, também na zona rural de Camamu-BA, o trabalho coletivo também acontece, mas um pouco diferente. O grupo de mulheres trabalha numa roça coletiva há mais de 10 anos, onde produzem para suas famílias e comercializam na Feira Agroecológica da cidade. Há também um grupo de jovens formado em 2010 que estão atuando com criação de abelhas. A apicultura já tem possibilitado a articulação entre eles e rendido produção de mel. “Nosso grupo chama Renovando Vidas. Nos reunimos quinzenalmente e já estamos produzindo e vendendo um pouco de mel”, diz Amado Santos, jovem apicultor.

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