Jerusalém Ribeiro Badu (2018)

Agricultora gera renda com alimentação escolar

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Há dois anos, Jerusalém Ribeiro Badu, 49 anos, passou a ter sua renda própria gerada pelo acesso ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), gerido pela Prefeitura de Remanso. Apesar de, nos últimos dois anos, o programa ter sofrido cortes no repasse do Governo Federal para compras de alimentos da agricultura familiar para merenda escolar, Jerusalém conseguiu acessar a Chamada Pública de Remanso.

O período coincide com a mu- dança da agricultora da comunidade do Espinheiro para a comunidade Tamboril, onde teria um espaço de terra para aumentar sua horta. Foi aí que Jerusalém organizou a produção e começou a fornecer alimentos saudáveis para uma escola da região. Por semana, são cerca de 10 quilos de alface, couve, rúcula, cebolinha, coentro, alface, almeirão, quiabo, abobrinha, abóbora, maxixe, pimentão, acelga e salsinha. As fruteiras do pomar não entram na merenda escolar. São para o consumo da família. A agricultora possui quatro filhos que moram na sede da cidade de Remanso, mas todos os finais de semana a família se reúne no Tamboril.

Jerusalém usa água de poço para aguar as plantas, dar de beber aos animais e para o banheiro da casa. Para beber e cozinhar, a água utilizada vem da cisterna de consumo humano, de 16 mil litros, construída pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Remanso (STTR). A família cria ainda alguns bovinos, para consumo do leite, caprinos, galinhas e cavalos. Jerusalém complementa a renda com o Bolsa Família e investe o recurso na infra-estrutura da horta.

Jerusalém acorda às 4h30 para cuidar da horta. Esse trabalho é só dela. Seu esposo, Demétrio da Costa Badu, é mecânico e passa o dia cuidando dos carros dos clientes. “Já é por devoção. Quando o dia clareia já terminei de aguar. Me sinto tão bem quando estou com elas lá. Depois de aguar as plantas, vou fazer o café e cuidar da casa”, explica. As noites de domingo são reservadas para tirar as verduras da horta. Quando o carro passa às segundas-feiras bem cedo, ela já está com tudo pronto, lavado e embalado.

Jerusalém conta que já começou a guardar sementes, mas ainda não é suficiente e ainda precisa comprá-las no mercado. “Sempre tive uns canteirinhos, quando morava no Espinheiro, mas era menor e mais com coisas de tempero. Depois que cheguei aqui não tenho nem mais vontade de voltar para a cidade”, afirma. A criação de animais também é só para a família. Fonte de leite e ovos para os netos. Ela diz que que quer plantar coisas diferentes no próximo ano, mas, por enquanto, não pretende aumentar a produção porque só tem uma escola para fornecer. Havia uma expectativa de ter mais uma unidade de ensino para 2018, mas a prefeitura recuou por falta de recursos.

Para a agricultora, é uma alegria fornecer para a escola porque muda a alimentação dos alunos. “Não é só pela renda, acho muito importante isso que estou fazendo. Muito bom para a alimentação das crianças. Aqui em casa também a gente come tudo o que produz. Os filhos, os netos, o que eu tiver na horta eles não compram”, diz orgulhosa.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) oferece alimentação e ações de edu- cação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação básica da rede pública de ensino. O governo federal repassa, a estados, municípios e escolas federais, valores financeiros, conforme o número de matriculados em cada rede de ensino. A compra é feita através de chamada pública realizada pela prefeitura municipal no início do ano letivo.

 

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