Ações de convivência com o semiárido mudaram a vida de Dona Ivonete e sua família (2011)

AÇÕES MUDARAM A VIDA DE DONA IVONETE E SUA FAMÍLIA

Ivonete Borges da Silva, 40 anos, nasceu e se criou na comunidade Lagoa do Pedro, município de Campo Alegre de Lourdes, que fica a 6 quilômetros da sede da cidade. Ivonete mora com seu esposo, Edvaldo Lopes da Silva, e duas filhas, Merivalda e Tatiana. A mais velha, Márcia, é casada e tem um filho, Renan, que é o primeiro neto da família.

A principal atividade da família é a agricultura. Cultivam milho, feijão, abóbora, melancia e mandioca para o consumo. A renda vem da venda de alguns produtos da roça, de animais, ovos, prestações de serviço e do benefício do Programa Bolsa Família, do Governo Federal, gerando um valor líquido mensal que não chega a um salário mínimo.

Na comunidade há várias aguadas que seguram no período da seca. São um barreiro, uma barragem que segura mais a água da lagoa e três cisternas subterrâneas comunitárias, sendo uma de 50 mil litros e as outras de 20 mil litros cada. No quintal da casa de Dona Ivonete tem uma cisterna de 16 mil litros para consumo da família. Serve para beber e cozinhar e é regrada pelos cuidados de Dona Ivonete, que se lembra da dificuldade que passou quando deixou a cisterna secar há 8 anos atrás por falta de experiência.


Desmatamento – desafio para comunidade e região

Ivonete fala com pesar da pouca chuva do ano de 2010. Embora tenha enchido todas as fontes familiares e comunitárias, se remete à seca como conseqüência do desmatamento que tem ocorrido com freqüência nos últimos anos para alimentar as carvoarias. O que mais lhe preocupa é que não vê nenhum reflorestamento, sobretudo, de plantas nativas, como angico, aroeira, umburana, pau d’arco, entre outras que servem de forragens para os animais.

Dona Ivonete conta que começou a cuidar de cabras quando tinha entre cinso e seis anos de idade, ajudando os pais a dar comida aos animais e arrebanhá-los para o chiqueiro. Depois que casou, levou os que tinham conseguido e continua criando até hoje. “Tem muita diferença na forma de criar. Antes era mais fácil. Tinha mais planta forrageira, só se dava sal e palma cortada. Agora, temos que dar ração para complementar a alimentação até no inverno”, conta Ivonete, que faz ração com espiga de milho e palha na forrageira, raiz da mandioca cortada e a maniva misturada com o caroço do milho. A agricultora relaciona as dificuldades ao desmatamento e diz que essa questão preocupa as lideranças e boa da comunidade que percebe muita gente se vendendo à troco de ilusão.

Projetos das cisternas, mais qualidade

Dona Ivonete conta também que com as aguadas, hoje, a qualidade de vida melhorou. “Antes era mais difícil, porque, além de andar muito para conseguir a água de beber, não era saudável. As cisternas acabaram com esse problema, proporcionando saúde e qualidade de vida para as famílias. Os animais bebem água na lagoa que é aberta e com esta água as mulheres lavam roupa, molham as plantas de canteiros e fruteiras dos quintais. Em casa, só tenho água da cisterna para consumo humano”, declara.

Do Fundo Rotativo para criação de animais, Ivonete recebeu uma cabra que já deu cria e está aguardando o momento de fazer o repasse. No seu chiqueiro já tem 25 cabras. O bode reprodutor está com outra família. A família de Ivonete recebeu também 28 pintos pelo mesmo projeto e já repassou os 28. “O fundo rotativo é muito importante, porque através dele outras famílias vão sendo beneficiadas. No inverno juntando todas as cabras, tiro cerca de 6 litros de leite por dia. Na seca, não chega a 3 litros”, diz. O leite é usado apenas para o consumo da família, misturando ao cuscuz, à farinha de borra e ao café. “Criamos os animais para garantir primeiro o alimento da família”, explica Ivonete.

A família de Ivonete gasta em torno de 70 reais por mês com medicamentos veterinários, como vacinas e remédios para infecção. “Quem cria cabras não passa aperto. Se precisar fazer uma feira ou resolver alguma situação de emergência vende o que for necessário e logo se resolve’, complementa. Quando necessário, Ivonete e seu esposo vendem a carne em pedaços, ou seja, por quilo que custa 7 reais. Segundo eles, se vender o animal vivo, ganha menos.


Horta Comunitária melhora a renda

Através da Associação de Fundo de Pasto foi feito um projeto para a CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento, para venda de verduras, galinhas, ovos, frutas, raiz da mandioca e abóboras. As verduras são da horta comunitária, que tem oito canteiros econômicos. Junto a 10 famílias cultivam para consumo da família e melhoram a renda familiar. Entre 2009 e 2010, venderam carne de bode, em torno de 60 quilos, e cerca de 100 unidades de coco verde.

Ivonete vê o SASOP com um papel importante na implantação desses projetos, junto aos outros parceiros. “Foi nas atividades de formação que aprendi o manejo correto de como cuidar dos animais, a produzir ração balanceada e outras experiências, que nem sabia que existiam, e só fiquei conhecendo nos intercâmbios, onde vi novas tecnologias e maneiras de se trabalhar a terra”, finaliza Ivonete, afirmando que o trabalho do SASOP não ajuda apenas a ela, mas a toda comunidade.

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