Juventude rural utiliza a comunicação para mobilizar suas comunidades (2013)

Gravação do primeiro programa A Voz da Juventude

Gravação do primeiro programa A Voz da Juventude

Tudo começou no ano de 2012, após um Encontro Regional da Juventude realizado pelo SASOP, Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais, no mês de agosto, em Remanso, Bahia. Os encontros acontecem desde 2010 para acompanhar as atividades produtivas e de geração de renda, como a apicultura e a produção de alimentos agroecológicos, mas, desta vez, a programação incluiu uma oficina de comunicação voltada para a linguagem de rádio. Participaram cerca de 40 jovens dos municípios baianos de Casa Nova, Pilão Arcado, Campo Alegre de Lourdes e Remanso, no Território do Sertão do São Francisco.

Foram três dias de atividade onde os jovens debateram ideias sobre comunicação e aprenderam a elaborar notícias, fazer entrevistas, produzir roteiros para programa de rádio e aprenderam a cuidar da voz. Ao final, gravaram o primeiro programa A Voz da Juventude. A partir daí passaram produzir o programa de rádio semanalmente para ser veiculado na Rádio Serra da Capivara AM, localizada em São Raimundo Nonato-PI, mas que tem abrangência por toda a região, com exceção de Casa Nova.

O espaço na rádio vem de uma parceria do SASOP com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso, SRT, que produz e apresenta o Programa Nossa Terra, Nossa Gente, todas as quintas feitas, às 13h. A experiência vem possibilitando aos jovens assumir a produção com seus conteúdos e ideias para mobilizar outros jovens e dar visibilidade às ações da juventude em suas comunidades. O estímulo dos jovens comunicadores despertou o interesse por outras linguagens, como impressos e internet.

No programa, os garotos e garotas falam de notícias sobre suas comunidades no intuito de mobilizar outras pessoas a se envolverem em trabalhos voltados para desenvolvimento local e convivência com o semiárido, além de gerar uma consciência para permanência do jovem no campo com qualidade de vida. Apresentam experiências de outros jovens que desenvolvem atividades produtivas baseadas em técnicas agroecológicas como criação de abelhas, galinhas, produção de alimentos em hortas e quintais. Tratam também de temas relacionados ao meio ambiente, eventos comemorativos, participação política, entre outras temáticas.

Para Ednilton Jannio, jovem comunicador de Campo Alegre de Lourdes, a experiência tem sido um excelente aprendizado. Ele conta que é enorme a gratificação de poder levar informações importantes e alegria para as pessoas através do rádio, principalmente, para a população da zona rural que ainda tem pouco acesso aos meios de comunicação e, quando tem, recebem mensagens que não retratam as realidades e culturas do seu cotidiano. Jannio, como é chamado, diz que fica muito feliz com a participação dos ouvintes que não perdem o programa e ainda ligam para mandar o seu alô para outras pessoas. Pontua ainda que os jovens são o presente e, por essa razão, não devem ficar esperando que melhorias sejam feitas. Segundo ele, a juventude precisa estar ativa e juntar as forças para lutar por seus direitos e por políticas públicas que venham de fato suprir as necessidades.

Henária Costa, jovem do município de Casa Nova, aponta que, apesar da rádio não ter alcance em sua comunidade, participar das atividades de comunicação e da produção do programa estimulou sua interação nos espaços sociais e a fez acreditar na sua capacidade de expressão. Diz que o programa é uma oportunidade para sensibilizar as comunidades.

O jovem Gilmar Ramos, de Campo Alegre de Lourdes, diz que ser um comunicador está sendo muito importante. Além das amizades que vem conquistando, Gilmar revela que está tendo a possibilidade de ajudar as pessoas por meio da informação e ainda de melhorar sua maneira de se expressar.

Balbina Alves, jovem comunicadora de Remanso, afirma que as atividades de comunicação tem mudado seu comportamento para melhor. Ela diz que antes era muito tímida e depois do programa de rádio se tornou mais participativa e passou a conhecer e trocar experiências com outras pessoas. Balbina acredita que os jovens devem encarar os desafios e se fortalecer com os obstáculos para alcançar o que desejam. A partir dessa iniciativa, o grupo passou a integrar o Fórum de Comunicação do Sertão do São Francisco e já participa de diversos eventos relacionados ao direito à comunicação no Semiárido.

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