Grupo de Mulheres conquista autonomia com o beneficiamento do pescado (2016)

Foto: Luciana Rios

Grupo de Mulheres reunido na Colônia de Pescadores

Era o ano de 2008 quando um grupo de pescadoras começou a beneficiar os peixes e comer- cializar para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Com o incentivo do SASOP e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as mulheres pescadoras da Colônia Z-41, município de Remanso, criaram o Projeto Sardinha Caseira para poder acessar os programas de compra de alimentos de forma mais organizada e fornecer para a merenda escolar, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Foi assim que o grupo de mulheres deu o pontapé inicial.

Francisca Miguel, uma das integrantes do grupo, conta essa história com muito orgulho. Quando ela entrou, o grupo de mulheres já existia e já trabalhava com o Projeto Sardinha Caseira. Ela diz que desde aquela época, as mulheres já fabricavam o filé e a linguiça de peixe para o PAA e para o PNAE. Depois, foram aprendendo a fazer outros produtos derivados do peixe, como almôndegas, espetinho, hambúrguer e patê.

Elas lembram que iam de madrugada à cozinha da Colônia para fazer a sardinha caseira e dar tempo de entregar nas escolas de manhã cedo, ainda quentinha e sem estragar. Contam que faziam as entregas de bicicleta, carregando a panela quente. O fogão que utilizavam só tinha duas bocas, mas, mesmo com essas dificuldades, seguiram em frente. Hoje, o grupo tem 38 mulheres e já con- quistou dois freezeres, uma geladeira, dois fogões de seis bocas e vários utensílios de cozinha, com apoio de um projeto elaborado pelo SASOP. O grupo também recebeu orientações técnicas e apoio para elaboração de um plano de negócios.

Para as mulheres, os cursos que fizeram com apoio de organizações como o SASOP possibilitaram que aprendessem a diversas formas de beneficiar o peixe.

Elas trabalham todos os dias e se dividem em dois grupos que se alternam para poder utilizar a cozinha. Os maridos pescam e elas cuidam do beneficiamento. Afirmam que às vezes eles passam até 15 dias no rio para voltar com um pescado.

Atualmente, o grupo está executan- do um projeto pela CONAB no valor de 175 mil reais e fecharam um contrato com a pre- feitura de Remanso para venda de cinco mil quilos de sardinha caseira e seis mil quilos de filé de peixe que vão para a merenda escolar, por meio do PNAE, no valor de R$ 139.500,00.

Junto com a Associação de Pescado- res e Pescadoras de Remanso (APPR), con- seguiram um contrato também com a pre- feitura de Casa Nova para a venda de mil quilos de filé de peixe, que serão entregues pelos dois grupos. É consenso entre elas o sucesso e a autonomia que conquistaram

após a formação de um grupo só de mulheres. “Ganhamos experiência e muito conhecimento depois do projeto que possibilitou o beneficiamento e a comercialização, sem falar na renda”, diz Maria Ribeiro, conhecida como Bahia.

Francisca lembra que antes só sabiam tratar e fritar o peixe, mas agora tem várias outras possibilidades, até o couro do peixe diz que dá para usar e fazer cintos, bolsas e sandálias. Ainda não fazem, mas é um plano para um futuro próximo. “Dá para tirar as despe- sas e ainda dividir em partes iguais. Dá em torno de 200 reais para cada uma nas entregas”, diz. Utilizam peixes do tipo pescada, tucunaré, tilápia, cari. Às vezes os pedidos de encomendas são grandes e precisam até comprar de outros pescadores.

O grupo, representado por Bahia, Ana Cássia, Ana Cristina, Erivânia, Ana Telma, Cleuma, Francisca Miguel, Francisca Vicente, Marianilza, Irenilde, Sidneia, Maria Aparecida, Zenilde, Edineide, Arlene, Eunice e Dalene, ainda planeja ter uma casa de beneficiamento e seus produtos rotulados com uma identidade visual que todos reconheçam na hora de comprar.

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