Quintal agroecológico integra plantação de hortaliças, criações e cuidados com o meio ambiente

Na zona rural de Camamu, Baixo Sul da Bahia, mora o casal Deodato Luís Santos e Valéria Santos da Silva, casados e proprietários do Sítio Boa Sorte, na comunidade Santo André. Na propriedade, a família tem implementado um quintal agroecológico com tudo o que precisam. De alimentos, como hortaliças, frutas e verduras, até criação de peixes e galinhas.

O casal conta que há muito tempo já não compra mais a maioria dos alimentos no mercado. Deodato e Valéria produzem para o consumo da família, mas quando a quantidade é grande aproveitam para vender o excedente.

Na horta, os agricultores tem plantado alfavaca, salsa, coentrinho, couve, tomate e outras hortaliças. Também criam galinhas, patos e peixes. Aproveitam tudo o que podem para o galinheiro e para a horta. No galinheiro, por exemplo, usam pó de serra para que ele fique seco. Misturando ao esterco, o pó de serra já serve de adubo para a horta. Quando o tomate ou a couve estão muito maduros, eles dão para as galinhas e para os peixes. Como um sistema integrado, um contribui para o outro. Valéria conta que até as penas das galinhas ela usa como adubo, deixando por cima da terra. Diz que mantem a terra fresca e fofa.

Deodato conta que já tem a clientela fiel. Todas às sextas-feiras e, às vezes, aos sábados, pega sua moto com a carroça no fundo e vai passando pela rua para vender os produtos. Ele diz que as pessoas já o conhecem. Às vezes, os vizinhos vão até a casa dele para comprar hortaliças. “O pessoal faz questão de comprar na nossa mão porque sabe a maneira como a gente trabalha”, afirma.

O trabalho do dia a dia, segundo Valéria, começa alimentando as galinhas e depois os peixes. Em seguida, vão molhar a horta. Se tiver alguma coisa para plantar, eles limpam tudo com a enxada, ou com a mão mesmo, e, então, partem para o trabalho na roça. Quando Deodato não está em casa pela manhã, Valéria fica responsável por dar comida as galinhas e, Isaque, o filho mais novo, leva comida para os peixes.

Ao meio dia também precisam ir ver os animais porque os patos gastam muito água e precisam sempre repor. Na casa do casal, todo mundo trabalha um pouco. Os filhos, quando chegam da escola, ajudam também o que podem. “Pegar uma água para colocar em casa, botar uma ração para as galinhas, levar comida dos peixes, semear o coetrinho, em todo caso, também ajuda a gente”, conta a agricultora.

Para a família, um dos melhores resultados que tiveram foi deixar de usar adubo químico. Antes da assistência do SASOP, tudo que faziam colocavam fertilizante químico que fazia a terra rachar. Contam que trabalhavam com muito produto químico e colocavam muito herbicida nos arredores da casa sem ter noção de que fazia mal. Hoje, já notam a diferença. “As plantas estão melhores, duram mais tempo, porque é tudo natural, tudo orgânico. Até os clientes percebem que há diferença no coentrinho comprado na nossa mão dura mais”, explica Valéria.

Deodato diz que o SASOP tem uma participação muito forte na vida deles e tem feito muita diferença. Ele conta que antes não produzia alimentos. Foi quando percebeu que quase não tinha mais terra, porque estava ocupando toda a área com plantação de cacau, guaraná e seringa. Nos espaços abertos começou então a cavar e plantar. Na primeira semana já viu resultados e isso os incentivou a continuar trabalhando.

Com incentivo do Fundo Rotativo Solidário, compraram material para o galinheiro e para irrigar a plantação. “O Fundo Rotativo é um apoio que a gente pega para ajudar naquilo que não estamos tendo condições de comprar. A gente devolve esse apoio que foi dado, para que eles possam ajudar outra família, outra comunidade lá na frente”, esclarece o agricultor.

“Hoje nós comemos a salada, tomamos o suco, tudo tranquilo, porque fomos conscientizados a respeito dos agrotóxicos, dos perigos que ocorria usando um inseticida para combater inseto, qualquer tipo de coisa, e hoje não usamos isso, fomos orientados, trabalhamos com todos os produtos naturais. Aprendemos a preservar mais o meio ambiente, quando a gente produz com esse cuidado, além de ajudar bastante na nossa vida financeira, hoje nós estamos só alegria, porque sabemos que estamos construindo o meio ambiente”, finaliza Valéria.

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