Casal faz deliciosos caramelos de leite de cabra

Na comunidade Desterro, localizada a 30 Km da sede de Remanso-BA, o casal Zefirino Joaquim de Souza, 55 anos, e Cristina Rodrigues de Souza, 51 anos, faz caramelos do leite de cabra. Eles têm três filhos, Leomar, Luzinete e Lucicleiton, e três netos, Marlon, Darlan e Laudimar. A iniciativa de fazer os caramelos foi de Dona Cristina há mais de 10 anos. Ela aprendeu a receita com sua prima Catarina no povoado Cacimbinha e diz que é um aprendizado que acompanha a família desde os seus antepassados. No início, os caramelos eram apenas para consumo da família e da vizinhança que experimentava quando lá passava. Os filhos e netos moram em São Paulo, mas sempre que tem um portador enviam para eles. É uma forma de continuar expandindo o sabor e a cultura dos caramelos entre a família.

Dona Cristina conta, assim que começou a fazer, não acertava o ponto dos caramelos. Aos poucos foi pegando a base do açúcar e do mel, pois, na composição da receita, devem ser usados, para cada litro do leite de cabra, uma colher de sopa de mel, um copo americano de açúcar e uma colher de sopa de manteiga de gado, conhecida também como manteiga da terra. O óleo de cozinha pode substituir a manteiga, caso não a tenha no momento. Mistura tudo ao leite e leva ao fogo.

Seu Zefirino é quem faz o manejo das cerca de 150 cabras que o casal possui. Logo cedo, por volta das 4 horas da manhã, já começa a labuta. No inverno tem tirado até 12 litros de leite por dia. Quando as cabras estão prenhas ou paridas, consegue juntar em torno de 3 litros. Ao chegar do chiqueiro, côa o leite e deixa descansar na panela de borra, como chamam a panela de alumínio batido. Somente depois do almoço é que Dona Cristina vai colocar o preparo do leite ao fogo. Vai mexendo até dar o ponto, revezando com Seu Zeferino.

O segredo da receita está na hora de fazer a tira rodada na tábua para cortar os caramelos, pois o doce deve estar bem quente. Depois vai cortando os pedaços pequenos com uma faca. Para embalagem, usam saco plástico amarrados com fio de aço com plástico duro para dar o nó e deixar bem fechado. Cada saco contém 10 caramelos e é vendido pelo valor de cinqüenta centavos. Os compradores, desde o início, são os alunos e professores da Escola Municipal Nossa Senhora do Desterro. A professora Cláudia diz que seria muito bom se fosse inserido na merenda escolar, pois, além de ser um alimento nutritivo, a garotada gosta muito. Todos os dias Dona Cristina e Seu Zefirino faz caramelos por conta da procura da escola.

As vendas cresceram em 2010, quando começaram levar para Remanso, às segundas-feiras, dia em que vão fazer compras ou aproveitam para resolver algum problema. Além de vender diretamente às pessoas por onde passa, deixam em alguns pontos comerciais. Na época de baixa produção, fazem em torno de 30 reais por semana e, no período de inverno, a produção é ainda maior.

Diversidade no quintal

Além das cabras, Dona Cristina e Seu Zefirino criam cocás e galinhas. Para as cabras, a ração é reforçada pela manhã e à tarde. Eles usam farelo de trigo, milho moído e palma cortada para preparar a ração na propriedade. Na roça, plantam mandioca, milho, abóbora, melancia e feijão.

A maior dificuldade que encontram é quando a seca aperta e têm de molhar todos os dias os canteiros e fruteiras. “A bomba demora muito para puxar a água da cisterna, por isso prefiro puxar de balde, mas já estou buscando uma solução com a compra de uma caixa d’água e de uma mangueira com bicos para molhar todos os canteiros e fruteiras ao mesmo tempo”, completa Seu Zefirino.

O casal foi contemplado com a cisterna-calçadão entre 2009 e 2010. A vizinhança experimentou o calçadão na produção da raspa de mandioca. Com as últimas chuvas, a cisterna sangrou várias vezes. Seu Zefirino mostra com orgulho a plantação de fruteiras no seu quintal. Tem acerola, manga, goiaba, graviola, laranja, coco, mamão, limão, abacate, banana, pinha, também conhecida por ata, além de cebolinha, maxixe, coentro, tomate, beterraba, pimentão e cenoura. Cultivam também várias plantas medicinais para consumo da família e da comunidade. Quando dá, vendem também na cidade. “Com a chegada da cisterna, a vida da família e da vizinhança tem mais qualidade. Esse ano ainda vamos colher mais frutas e verduras”, diz Seu Zefirino.

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