Jovem agricultora dá lição em convivência com o Semiárido (2014)

2014-07-11 16.25.51

Renilde Almeida Gomes é uma jovem agricultora, agente comunitária de saúde, artesã e mãe de dois filhos, um menino e uma menina. Mora no Sítio do Girau, a 22 quilômetros da sede do município de Remanso, Bahia. É filha da agricultora experimentadora, Maria das Graças Gomes de Almeida. Renilde, assim como sua mãe, desenvolve diversas iniciativas para convivência com o Semiárido, se dedica a criação de caprinos, além de ser dirigente do grupo de jovens da comunidade.

Trabalha em sete comunidades próximas ao Sítio Girau. Quando não está como agente comunitária, cuida da sua propriedade com o esposo Alan Gomes. Criam cabras, galinhas, abelhas e ovelhas. Há alguns anos começou a ser acompanhada pelo Sasop e a participar de encontros de formação em agroecologia voltados para a juventude. Depois, viu experiências de jovens em outros municípios e foi despertando o gosto e o amor pela natureza, por cuidar da terra e dos animais. Hoje, procura fazer tudo de uma maneira que dure mais tempo, sem agredir a natureza, sem destruir. Se precisar derrubar uma árvore, planta outra no lugar.

A jovem tem uma horta ao lado de casa, onde produz o alimento da família. Planta verduras, legumes, frutas e quase não compra mais nada na feira, garantindo uma alimentação saudável e sem agrotóxico para sua família. No manejo com os animais, Renilde também evita usar drogas e remédios. Procuram manter sempre o chiqueiro limpo para evitar as verminoses e participa de formações e intercâmbios.

Renilde estudou magistério, exerceu a profissão por dois anos, mas não gostou. Em 2008, passou no concurso para agente comunitária de saúde e começou a trabalhar na própria comunidade. No grupo de jovens, promove o debate sobre a permanência no campo, valorizando as riquezas locais. O grupo se reúne uma vez por mês para trocar experiências sobre seus projetos.

A agente comunitária quase nunca vai à sede da cidade. No Sítio tem uma qualidade de vida melhor, fazem uma economia enorme com a criação e a horta. Produzem carnes, ovos, verduras, hortaliças, frutas e temperos, melhorando o hábito alimentar dos dois filhos, já que evitam os produtos industrializados. A agricultora mostra que sendo período de inverno ou de seca, é possível viver no Semiárido. A estiagem dos últimos anos foi a pior dos últimos tempos, mas não impediu que continuassem a produzir e alimentar os animais, graças à preservação da caatinga.

Renilde afirma que, na atividade rural, a mulher tem mais proatividade e acaba trabalhando mais do que o homem. Levanta cedo para cuidar das galinhas, das cabras e da horta. Providencia o café da manhã do marido e leva os filhos na escola. Sua mãe é presidenta da Associação Comunitária e no município o Sindicato dos Trabalhadores Rurais é liderado por uma mulher, que já está no seu segundo mandato. Outras mulheres da região vão se inspirando e despertam o interesse pela luta por seus direitos. A jovem agricultora deixa como lição para a juventude seu exemplo de como viver bem no sertão, apostando nas tecnologias certas e na Agroecologia para conviver bem com o Semiárido.

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